DISCURSO DO PROFESSOR FERNANDO VAZ POR OCASIÃO DA Iª CERIMÓNIA DE GRADUAÇÃO
É uma honra, um enorme privilégio, e uma grande satisfação falar nesta solene cerimónia de atribuição de diplomas aos primeiros graduados do Instituto Superior de Ciências de Saúde.
Esta graduação representa o culminar de um trabalho árduo que nos envolvemos, com todo o entusiasmo desde 1975, na formação de melhores profissionais de saúde. Sinto uma enorme alegria ver aqui alguns profissionais que vão receber a sua graduação que começaram as suas carreiras profissionais como Enfermeiros Básicos, lá nos Centros de Saúde e hospitais periféricos e hoje , pelo seu esforço, pelo seu estudo, pela sua prática, alcançaram um grau superior e se encontram preparados para assumir funções de Direcção .
Valeu a pena todo este esforço!
Obrigado a todos vós pelo conforto que me deram com os vossos sucessos! também partilho das vossas alegrias
A criação deste Instituto Superior tem uma longa e interessante história, que reflecte a trajectória da política de formação dos trabalhadores de saúde, definida pelo Governo, desde a proclamação da Independência Nacional.
Desde então, uma das grandes preocupações do nosso País foi, e continua a ser, o problema da formação de recursos humanos, capazes de se lançarem na reconstrução do País, e, particularmente na área da saúde dar resposta a uma situação difícil nas zonas rurais tão negligenciadas no regime colonial
Nessa altura, trabalhamos na criação das carreiras técnico –profissionais da saúde, que foram estruturadas e definidas no Dec. 96/76 que estabelecia os seus acessos, níveis e progressão.
As carreiras de saúde então criadas tínham a particularidade, do ingresso se poder fazer nos escalões inferiores com uma baixa escolaridade e de se ir ascendendo na carreira através de cursos de promoção.
Era possível iniciar uma carreira de saúde com a 6ª classe no nível básico, e, através de equivalências de escolaridade que os currículos dos cursos permitiam, e através de cursos de promoção o estudante ter a possibilidade de ascender a escalões superiores até ao nível de licenciatura.
Foram criadas na altura os Institutos de Ciências de Saúde nas 3 regiões do País – Maputo, Beira e Nampula, e Escolas e Centros de Formação nas Capitais Provinciais e Distritais. O ensino foi assim estendido em todo o País.
Esta estratégia permitiu o fácil ingresso dos candidatos dos Distritos e permitiu também que os serviços de saúde dessem uma resposta satisfatória àquilo que eram no momento, as grandes preocupações do Governo no acesso da população aos cuidados de saúde.
Porem, a obtenção dos graus superiores como o bacharelato, e a licenciatura prevista no Decreto da criação das carreiras , só era permitida por Lei em Escolas Superiores e não nos Institutos que só podiam leccionar até ao nível médio ou médio especializado.
Para se cumprir integralmente o preceituado no Decreto de criação das carreiras técnico-profissionais de saúde era preciso criar um Instituto Superior. As carreiras de saúde só ficariam equilibradas se o vértice da pirâmide de força de trabalho fosse preenchido com o nível superior – licenciados.
Foi essa a grande dificuldade que o Ministério de Saúde teve de vencer para a criação duma Escola de nível Superior e que durou cerca de 20 anos!
Por despacho do Sexa Ministro de Saúde Dr. Francisco Songane é nomeada uma Comissão Instaladora, em 2002 para a criação de um Instituto Superior e constituída pelas seguintes personalidades: Vice-Ministra da Saúde – Dr.ª Aida Libombo, Prof. Dr. Fernando Vaz, Prof. Doutor Domingos Tuto, Dr. Ricardo Trindade, Dr.ª Maria do Carmo, Dr. Caetano Pereira. Dr.ª Dalmazia Cossa, Dr. Mahumane, Dr. Júlio Langa e Dr.ª Lídia Monjane.
Finalmente pelo Decreto 47/2003 de 24 de Dezembro é criado o Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA).
Esta Instituição nasce assim como corolário da política da formação de quadros, definida logo após a Independência Nacional e, pela pressão dos próprios trabalhadores de saúde na busca duma formação continua e na sua vontade de avançarem nas suas carreiras profissionais.
Em 2004 têm inicio os primeiros cursos superiores e desde logo, se tomou a decisão de priorizar a formação de profissionais de saúde necessários para dar resposta aos planos estratégicos do Governo e particularmente do Ministério de Saúde.
A prioridade do Governo no desenvolvimento do País são os Distritos e nesse sentido os Hospitais Distritais representam para o Ministério da Saúde preocupações acrescidas.
Assim os primeiros cursos a serem leccionados são: a Enfermagem Geral, Enfermagem de Saúde Materna, Técnicos de Cirurgia, Administração e Gestão de Unidades Sanitárias, Enfermagem Pediátrica, Tecnologia Laboratorial Biomédica, Psicologia Clínica, Terapia Ocupacional e Fisioterapia e nos próximos anos Nutrição e Saúde Pública.
A selecção dos cursos que ministramos no ISCISA reflecte a preocupação de participarmos no crescimento e no desenvolvimento do País e, a forma de recrutamento dos candidatos por quotas, atribuídas a cada província. O acesso á Instituição dos candidatos do interior.
Os nossos graduados que hoje vão aqui receber os seus diplomas, estão vocacionados e preparados para exercer as suas profissões ao nível dos Hospitais Rurais/ Distritais.
Alguns já ali trabalham, vieram fazer os seus cursos de promoção e continuarão nos Hospitais Rurais no cumprimento das tarefas que lhes foram atribuídas
A presença de V. Excias nesta cerimónia de graduação é uma grande honra e estimulo para todos, direcção, docentes, estudantes e familiares e amigos.
Esta Escola é do Estado, é de todos nós! deve servir a Nação a Direcção máxima desta Escola é constituída por um Conselho Geral que representa a Sociedade Civil.
É este Conselho Geral que avalia e aprova todos os nossos programas de actividades. É pois uma garantia de que os objectivos deste instituto serão sempre respeitados.
Parabéns aos graduados e muitas felicidades e sucessos no desempenho das vossas tarefas.
Nós os docentes procuramos ensinar o melhor que temos e sabemos.
Saibam vocês, honrar as vossas profissões, a vossa escola e o vosso País!
Obrigado
Maputo 20 de Agosto de 2008
DISCURSO DO DIRECTOR DO ISCISA POR OCASIÃO DA Iª CERIMÓNIA DE GRADUAÇÃO
É com muita honra e com particular regozijo que me dirijo a esta assembleia e em particular a Sua Excelência o Presidente da República que no meio de tantas preocupações e tarefas aceitou o nosso convite para tomar parte na Iª Cerimónia de Graduação do Instituto Superior de Ciências de Saúde.
O Instituto Superior de Ciências de Saúde é uma escola de ensino superior, pública, de carácter politécnico, que forma Bacharéis, e Licenciados na área das Ciências e Tecnologias da Saúde.
Foi criado pelo Decreto do Conselho de Ministros nº 47/2003 de 24 de Dezembro e iniciou as suas actividades académicas em Fevereiro de 2004 com três cursos prioritários para o País, nomeadamente Enfermagem de Saúde Materna, Enfermagem Geral e Técnicos de Cirurgia.
Foram programados para os anos lectivos seguintes os cursos de Enfermagem Pediátrica, Tecnologia Biomédica e Laboratorial, Administração e Gestão Hospitalar, Terapia Ocupacional, Psicologia Clínica, Anatomia Patológica e Fisioterapia.
No próximo ano lectivo vão ser abertos os cursos de Nutrição e Saúde Pública.
Porque a preocupação do ISCISA é formar profissionais de saúde a serem colocados em todo o País tomou - se a decisão de atribuir quotas de admissão a cada Província visando reduzir as iniquidades existentes.
No primeiro ano de actividades académicas tivemos 105 estudantes e nos anos sucessivos a frequência foi subindo progressivamente até que cinco anos após o início das nossas actividades em 2008 atingimos a massa académica de 710 estudantes.
Importa referir que o ISCISA prepara técnicos superiores prioritariamente para os Hospitais rurais cumprindo com a estratégia do Governo de considerar o Distrito como o elo fundamental para o desenvolvimento do País.
É no Distrito que vão trabalhar os técnicos que hoje graduamos nas áreas de Cirurgia, Enfermagem Geral e Enfermagem de Saúde Materna. São estes técnicos que vão contribuir de sobremaneira na operacionalização e concretização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio garantindo assim a redução da morbimortalidade materna e infantil, melhoria dos cuidados de saúde e a redução da pobreza.
O Instituto Superior de Ciências de Saúde não só serve os interesses dos profissionais de saúde mas, constitui mais uma oportunidade de formação para estudantes de todo o País de modo a contribuir na materialização dos grandes objectivos do governo, no desenvolvimento da Nação através do aumento do acesso dos moçambicanos aos cuidados de saúde e a melhoria significativa da qualidade desses mesmos cuidados.
Esta é a Iª cerimónia de graduação de estudantes do ISCISA na qual serão consagrados 67 Bacharéis em Cirurgia, 23 Enfermeiras Licenciadas em Enfermagem de Saúde Materna, e 26 Enfermeiros Licenciados em Enfermagem Geral.
Esta cerimónia representa o sonho de muitos estudantes aqui presentes e das suas famílias que consentiram muitos sacrifícios.
É uma festa de consagração na qual ficarão registados os momentos mais importantes dos estudantes.
Do total dos 116 graduandos 79, o correspondente a 68% são do género masculino e 37, o correspondente a 32%, são do género feminino. Como podemos constatar, a relação de género é ainda bastante desequilibrada no universo dos graduandos.
O Instituto Superior de Ciências de Saúde é uma instituição que aprimora pela qualidade na formação dos futuros profissionais de saúde dotando – os com bagagem técnico – científica que os habilita e os capacita ao saber fazer consciente, assente no princípio da responsabilidade, exaltação de valores éticos que respondam ao perfil esperado pela sociedade moçambicana.
Se olharmos para a realidade moçambicana, constatamos que problemas de fórum sanitário estão sempre presentes facto que nos impele a apostarmos mais na formação de futuros profissionais de saúde carregados de valências científicas, tecnológicas e ético culturais de modo a que promovam e cultivem valores de cidadania, paz, altruísmo e unidade nacional.
Um dos desafios sempre presentes no ISCISA é a necessidade de adopção e aplicação de estratégias que elevem as suas metodologias a níveis e padrões internacionais de modo que a sua linha académica responda as dinâmicas sócio culturais, económicas e tecnológicas impostas pela progressiva internacionalização dos sistemas de ensino.
Por isso o estabelecimento de parcerias com instituições de formação de renome é sempre uma mais valia institucional.
Gostaríamos de aproveitar a ocasião para agradecer os apoios disponibilizados pela Fundação Calouste Gulbenkian, Governo da Finlândia, Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, Escola Superior de Saúde do Alcoitão, Escola Superior Tecnologia de Saúde de Lisboa, Escola de Enfermagem Ana Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Savónia, Universidade Orebro.
Esta instituição de ensino superior, gostaria de aumentar o número de cursos tão importantes e necessários na multifacetada actividade de saúde e consequentemente aumentar o número de estudantes de todo o País, mas vê – se constrangida pela falta de instalações próprias, campos de estágio adequados, e um orçamento que corresponda às suas aspirações e necessidades.
Um dos grandes sonhos da Instituição é ter um campos universitário onde pudesse ter alojamento para todos os estudantes, onde pudesse leccionar a maior parte possível de cursos da área das Ciências e Tecnologias da Saúde.
Felicito – vos efusivamente por serem pioneiros deste novo e grande projecto de formação, e hoje é momento de júbilo e confraternização do qual subjaze uma enorme expectativa social pois aguarda – se de vós, resultados positivos, não só no plano intelectual como no que concerne ao saber estar em sociedade, enquanto cidadãos moçambicanos.
Devido às incertezas e descontinuidades impostas pelas oscilantes dinâmicas das sociedades, impera toda uma necessidade de vocês não quebrarem o vínculo com a academia como forma de garantir e promover não só a actualização teórico científica mas também assegurarem a formação contínua que vos manterá e colocará à altura de responder as demandas técnico profissionais colocadas pelo mercado de trabalho.
Uma das estratégias que recomendamos desde já é a manutenção do espírito de equipa isto é gostaríamos que independentemente da localização geográfica onde forem colocados se mantenham unidos na identificação e busca de respostas ou soluções sustentáveis aos problemas sanitários das populações.
Queiram aceitar os mais distintos parabéns pelo grau académico conquistado, às famílias pelos sacrifícios consentidos, votos de sucessos no desempenho das vossas actividades e desejo de num amanhã próximo voltarmos a sentar a mesa para discutir as melhores estratégias de resposta à problemática sanitária do País resultante do trabalho árduo que vos fará amadurecer e progredir.
Agradeço a todos pela presença neste acto verdadeiramente histórico para a vida dos graduandos e do ISCISA!
Maputo, 20 de Agosto de 2008
DISCURSO DOS ESTUDANTES FINALISTAS DO ISCISA POR OCASIÃO DA Iª CERIMÓNIA DE GRADUAÇÃO
Hoje, dia 20.08.2008 encerram os primeiros cursos de licenciatura em Enfermagem Geral, Enfermagem de Saúde Materna e Bacharelato em Cirurgia, que tiveram início no ano de 2004.
Estes cursos foram concebidos com objectivo de melhorar a prestacao de cuidados de saúde primários, com vista a responder o terceiro, quarto e o quinto objectivos do milénio, contribuindo assim para a redução da pobreza absoluta.
No início todos buscávamos conquistar o que muitos anseiam. Frequentar um curso superior de ciências de saúde, ideal, que exige muito esforço, disciplina e perseverança para o seu êxito. Muitas realidades individuais distintas, muitas famílias engajadas, porem, à cada dia um novo panorama outrora almejado, tornava-se real. Tudo era novo. As primeiras sementes a serem lançadas no solo fértil e prospero da nossa pátria amada.
Sendo os primeiros estudantes do ISCISA, não tínhamos muita certeza do que nos esperava. Muitas dúvidas, interrogações, mas uma certeza, a de que deveriamo-nos entregar de corpo e alma aquilo que escolhemos, lutarmos para que fossemos bem sucedidos, alcançando metas e alicerçando o futuro.
Pioneiros. Desbravadores. Avessos à titulações, mas sabedores das nossas responsabilidades, revestimo-nos de muita coragem e fé, na terra onde o sol de Junho para sempre brilhara.
Na nossa caminhada de quatro anos, bem vividos, reconhecemos o bónus e ónus de tão rica convivência académica e social. Discussões acaloradas, atritos, mal entendidos, resultados naturais de momentos em que a dialéctica é fundamental, mas que o tempo, soberano, dissolveu, restando-nos apenas a consciência de que para desenvolvermo-nos plenamente e chegarmos ao sucesso/êxtase, devemos passar pela provação e pela dor, alias estes dois óbices momentâneos foram a alavanca para o nosso crescimento.
Fortes amizades, namoros, casamentos, encontros memoráveis, perca de colegas, companheirismo na alegria e no sofrimento, lições de vida, excelentes frutos dentre vários outros colhidos nesta caminhada, muitos dos quais perenes, que jamais se esquecerão.
Hoje, sentimo-nos capazes de transformar os conhecimentos adquiridos em arte de salva vidas. Estamos mais cientes da nossa fortaleza, mais sensíveis as assimetrias sociais, as nuances da vida, em suma, mais humanos. Faremos destes anos, que aqui permanecemos, de constante aprendizagem, marco e modelo em nossas vidas, carregando connosco, no dia-a-dia no nosso ofício, as ricas lições e experiências de uma bela época que vivemos.
Para terminar, queremos endereçar o nosso singelo agradecimento a DEUS, aos nossos pais, ao Governo de Moçambique, à Direcção do ISCISA, aos funcionários em geral, amigos e a todos aqueles que contribuíram directa ou indirectamente para que o nosso sonho se tornasse realidade.
Muito Obrigado!
Maputo, 20 de Agosto de 2008
Fotografias da Cerimonia
Estudantes do Curso de Tecnicos de Ciruirgia Com Presidente da Republica
Estudantes do Curso de Licenciatura em Enfermagem Geral com o Presidente da Republica