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DIRECÇÃO CIENTIFICA
CONSTITUIÇÃO E COMPETÊNCIAS
OBJECTIVOS
NORMAS BÁSICAS

 

INTRODUÇÃO

A investigação cientifica foi durante muitos anos conotada como expressão de grandeza e criatividade do espírito humano. Com o tempo ficou provado o seu papel como parte do processo de desenvolvimento económico e social, evoluindo desta forma de acção individual para actividade institucional  e exigindo por isso planeamento, organização e investimento para a sua concretização.

É neste contexto que a investigação passa a ser realizada por centros especializados e ou instituições académicas sendo realizada por profissionais treinados e financiada pelo estado ou por outras entidades.

O desafio que enfrentam as instituições do ensino superior na actualidade é o de realizarem com excelência as funções de docência e de investigação.

É esta realização simultânea de funções de investigação e docência que diferencia as instituições do ensino superior das restantes instituições de ensino.

As duas funções das universidades beneficiam-se reciprocamente e permitem que as actividades de docência tenham base cientifica e se adaptem às realidades e evidencias fornecida pela investigação.

As actividades de investigação devem por natureza ser relevantes, responderem tanto às necessidades de docência como dar resposta aos principais problemas de saúde do país. Os países devem usar os resultados da investigação para a definição de políticas de desenvolvimento baseadas em evidência.

Esforços devem ser feitos para envolver tantos docentes como estudantes a desenvolverem actividades de investigação, criando desta forma uma massa crítica que vai usar na vida profissional a investigação como elemento para a tomada de decisões.

Missão e visão da Direcção Científica

No ISCISA um corpo docente e discente equipado de conhecimentos baseados em evidência.

 

ESTRUTURA E COMPETÊNCIAS DA DIRECÇÃO CIENTÍFICA

Direcção Científica é um órgão dentro do organigrama do ISCISA que depende directamente do Director do ISCISA e tem uma estreita ligação com outras Direcções.


A Direcção Científica é constituída por um Director e por um Conselho Científico.

O Conselho Científico do ISCISA é constituído pelo Director Científico, o Assessor de investigação e pelos docentes da cadeira de metodologias de investigação. Inclui ainda o Director Pedagógico da instituição.


São competências da DC a coordenação de toda a actividade científica no ISCISA, designadamente a investigação, a extensão, a formação e aperfeiçoamento dos Discentes e dos Docentes na área de metodologias de investigação.

 

OBJECTIVOS DA DIRECÇÃO CIENTIFICA

Principais actividades a serem desenvolvidas pela Direcção Cientifica

Principais linhas de investigação do ISCISA

As linhas de investigação do ISCISA deverão em principio estar em consonância com os objectivos definidos pela Estratégia de Ciência, Tecnologia e Inovação de Moçambique. Esta estratégia define para a área de saúde as seguintes prioridades de investigação:

Tuberculose e suas determinantes
Malária e suas determinantes
HIV/SIDA e suas determinantes

Impacto das dietas pobres na saúde das populações e comunidades
Impacto de balanceamento de nutrientes e alternativas de uso destes

 Tendo em conta a necessidade de funcionamento dentro das prioridades definidas pelo governo, a Direcção Científica em coordenação com a Direcção da instituição definiu cinco linhas principais de investigação para o ISCISA:

Determinantes da infecção pelo HIV/SIDA em Moçambique

Esta linha de investigação deverá abranger todos os protocolos de investigação que tenham como tema básico à abordagem dos problemas relacionados a esta pandemia. Assim, temas como o HIV/SIDA nas crianças, nas mulheres, bio-segurança no trabalho, aleitamento materno condicionado e estado nutricional das crianças de mães seropositivas, uso de plantas tradicionais no tratamento, relação tuberculose e outras doenças oportunistas, são alguns exemplos de protocolos que podem ser submetidos nesta linha de investigação.

Determinantes da malária e seu impacto em grupos de risco em Moçambique

Esta linha de investigação visa dar soluções à várias questões sobre o maior flagelo de doença e morte no país. Poderá incluir projectos de investigação nas áreas de controlo vectorial, educação em saúde e ainda questões relacionadas ao tratamento da doença. A introdução da nova política de tratamento é uma oportunidade impar que poderá ter áreas ainda não claras como a dos efeitos colaterais e limitações de tratamento nos grupos de risco como são os menores de 5 meses e primeiro trimestre de gravidez

Determinantes da qualidade de prestação de cuidados de saúde em Moçambique

Esta linha de investigação visa dar soluções aos principais problemas que impedem a prestação de cuidados de saúde de qualidade aos utentes do Serviço Nacional de Saúde. Poderá incluir protocolos que abordem temas relacionados à qualidade de prestação dos cuidados de saúde, qualidade do pessoal do SNS e seu desempenho, condições das infra-estruturas (incluindo aspectos administrativos), etc. Atitudes, práticas e conhecimentos dos utentes também se incluem nesta linha de investigação.

As primeiras linhas de investigação são formuladas em resposta as prioridades definidas pelo governo. Entretanto, o ISCISA como instituição de ensino deverá obviamente definir linhas de investigação na área pedagógica cujo objectivo principal será garantir boas praticas académicas e monitorizar a implementação curricular.
Assim, as linhas possíveis na área de docência poderão ser:

Determinantes da qualidade do processo de ensino aprendizagem

Esta linha de investigação deverá ser realizada em coordenação estreita com a Direcção Pedagógica e abordará temas como:

Áreas de interesse em investigação específicas dos cursos do ISCISA

Esta linha de investigação tem por finalidade acomodar todos os projectos de investigação que não se enquadrem nas anteriores linhas definidas pela Direcção Científica  e poderão incluir projectos de investigação nas áreas de nutrientes e estado alimentar das populações, pesquisa sobre plantas medicinais de utilidade pública, aspectos relacionados à particularidades dos diferentes cursos do ISCISA e seu desempenho profissional, entre outros.

 

NORMAS BÁSICAS PARA A ELABORAÇÃO DOS PROTOCOLOS DE INVESTIGAÇÃO

Os protocolos de investigação regem-se por princípios gerais que são de cumprimento obrigatório dos indivíduos que promovem a investigação. Assim, a Direcção Científica  estimulará as boas praticas de investigação aceitando apenas os protocolos que obedeçam a requisitos básicos exigidos pelo método científico.

  1. Os protocolos deverão seguir todos os passos ou etapas padrão
  2. Deverão sempre que possível, ter considerações éticas aprovadas por entidade competente.
  3. Possuir consentimento informado escrito ou verbal dos participantes
  4. Observar os prazos de entrega definidos pela Direcção Científica
  5. Terem a devida relevância para a solução de problemas específicos
  6. Possuírem tamanho adequado da amostra
  7. Ter um supervisor minimamente abalizado na área
  8. Enquadrarem-se nas linhas de investigação definidas pela Direcção

Os protocolos de investigação poderão ser individuais e ou colectivos, de estudantes, docentes ou ambos. A Direcção Científica estimula a realização de protocolos colectivos para criar nos docentes e discentes o hábito do trabalho em grupo ou equipe.

Os temas de protocolos de investigação deverão estar disponíveis desde o início do ano lectivo. Constitui excepção a este princípio o primeiro ano por não ter ainda concluído a cadeira de metodologias de investigação que forma os alicerces para a investigação.

Visão geral sobre fontes de financiamento da investigação

 

Investigar implica mobilização e manutenção de fluxo de recursos humanos e financeiros. Os recursos financeiros constituem na maior parte dos casos o calcanhar de Aquiles na realização da investigação. Assim, a Direcção Científica encoraja os investigadores do ISCISA a serem não só bons investigadores, mas a garantirem também a componente financeira dos seus projectos. Para facilitar esta actividade, existe a necessidade de estabelecimento de parcerias com entidades que, dependendo do interesse específico podem ter utilidade como fontes de financiamento.

Tendo em vista o papel da investigação na definição de políticas de saúde e não só, as instituições governamentais (incluindo o ISCISA) devem estar programadas para disponibilizar e aumentar progressivamente os fundos alocados para a investigação.

As empresas farmacêuticas são tradicionalmente fontes de financiamento para projectos que possam ter relação com a sua actividade comercial. Por isso, a Direcção Científica tomará as medidas necessárias para que estas se tornem um importante parceiro da investigação.

Entidades governamentais e não governamentais também podem ser úteis quando adequadamente motivadas serem importantes fontes de financiamento. São os casos do Ministério da Ciência e Tecnologia, o Concelho Nacional de Combate ao SIDA, o Programa Nacional de Controlo da Malária entre outros.

A Direcção científica reconhece e incentiva a parceria com outras instituições congéneres que já tenham programas de investigação e tradição na matéria através da elaboração e realização de projectos conjuntos que resultem em beneficio mutuamente vantajoso. Inclui-se neste grupo os casos do Centro de investigação da Manhiça, Faculdade de Medicina, Instituto Nacional de Saúde, etc.

Organização e realização de cursos de Metodologias de investigação

 

A realização plena das actividades de investigação no ISCISA tem como pré-condição ou requisito básico a criação de um corpo crítico de investigadores competentes e capazes de competir a nível global.

Para atingir este nível de qualidade na investigação, o ISCISA através da Direcção Científica deverá levar a cabo um programa de treino profissional continuo, sobretudo em metodologias de investigação ao nível avançado dando ênfase na análise critica de trabalho de investigação, interdependência entre os diferentes componentes da investigação, apresentação de trabalho científico e ainda processamento e interpretação de dados. Para garantir sustentabilidade dos cursos estes poderão ser organizados com a comparticipação  financeira dos candidatos.
Os cursos estarão abertos aos estudantes/docentes do ISCISA e a outros interessados.

Em dependência do número de candidatos e disponibilidade de condições de formação, os cursos de metodologias de investigação poderão ser semestrais ou em dependência de necessidades específicas.

A Direcção Científica entende e acredita que o trabalho conjugado de todos os interessados fará do ISCISA uma instituição onde investigar será parte integrante do modus vivendi ou uma postura permanente dos seus graduados.

 

Elaboração da proposta: Armindo Daniel Tiago/ Domingos Diogo

 

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